Essa semana o Brasil inteiro tá de olho no Banco Central e no governo decidindo o preço dos juros. Selic mexendo, teto do consignado em discussão — todo mundo comentando isso na TV, no rádio, no grupo de família.
E é exatamente nessa confusão que o golpista trabalha melhor. Quando um assunto vira notícia, ele aproveita a brecha pra ligar, mandar mensagem e se passar por quem não é. Golpe do consignado inss
Não é exagero. Segundo levantamento da Febraban citado pelo blog do Nubank, o golpe da central telefônica falsa — quando o criminoso finge ser funcionário de banco — teve 139 mil casos só no primeiro semestre de 2025, um salto de 195% em relação ao ano anterior. Boa parte mira direto em aposentado e pensionista.
Se você tem pai, mãe ou avô que recebe benefício do INSS, guarda esse artigo. Ou melhor: manda pra ele agora mesmo.
Por que o aposentado é o alvo preferido
Não é acidente o golpista mirar em quem recebe do INSS. É cálculo. Golpe do consignado inss
O benefício cai todo mês, na mesma data, sem falta. Pro golpista, é uma fonte de dinheiro previsível — diferente de tentar roubar de quem tem renda variável.
O tamanho do problema já é gigante. Numa operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União contra descontos associativos não autorizados, o INSS confirmou reclamações de 1,2 milhão de beneficiários, de um total de 7,6 milhões que têm algum desconto no pagamento. Ou seja: quase 1 em cada 6 aposentados com desconto no benefício já reclamou de cobrança que não reconhecia.
Some a isso outro fator: muito aposentado tem menos intimidade com celular, app e senha — e o golpista sabe exatamente onde apertar.
O que é consignado, sem economês
Consignado é o nome bonito pra um tipo de empréstimo que já sai descontado direto do seu benefício, antes até de cair na conta. Você nem vê o dinheiro passar por inteiro — é como se o banco cobrasse a parcela antes de te pagar o salário.
Por isso ele costuma ter juro mais baixo que outros empréstimos: pro banco, o risco de não receber é quase zero, já que o desconto é automático. Mas “mais baixo” não é “de graça” — e é justamente nessa confiança que mora o golpe.
Existe até um limite chamado margem consignável: uma parte do seu benefício que a lei permite comprometer com esse tipo de desconto, pra sobrar o suficiente pra viver. Quando um golpista contrata empréstimo no seu nome sem autorização, ele estoura essa margem sem você nem saber.
Os 4 golpes mais comuns em cima do consignado
1. O golpe da “restituição do desconto indevido”
Te mandam um link — por WhatsApp, SMS, rede social — prometendo agilizar a devolução de um dinheiro que teria sido descontado errado do seu benefício. Você clica, cai numa página falsa e entrega seus dados, ou pior, sua senha do Gov.br.
Gov.br é a conta única do governo — a mesma senha que dá acesso ao Meu INSS, à Receita Federal e outros serviços. Por isso ela vale ouro pra quem quer te roubar.
O INSS já alertou publicamente: cronograma de restituição, quando existir, sai só nos canais oficiais. Nunca por link de terceiro, nunca por mensagem de desconhecido.
2. O golpe da central telefônica falsa
Ligam se passando por banco, dizendo que seu consignado tem “problema” ou que sobrou um “crédito liberado” esperando aprovação. Pedem senha, código de SMS ou pra você “confirmar dados” pra “desbloquear” o valor.
Banco nenhum — e o INSS também não — precisa da sua senha por telefone. Se pediram, é golpe. Desliga na hora, confirma o próprio Nubank em orientação sobre o tema.
Um detalhe que ajuda a desconfiar: instituição séria não faz pressa. Se do outro lado da linha alguém insiste que “é agora ou nunca”, isso já é sinal vermelho.
3. O empréstimo que ninguém pediu
Esse é o mais cruel: o golpista consegue seus dados, contrata um consignado em seu nome sem você saber, e some com o dinheiro. Você só descobre quando o desconto aparece no extrato — às vezes meses depois.
O INSS não empresta dinheiro — quem empresta é o banco. O INSS só autoriza o desconto na folha depois que alguém, supostamente você, contratou o empréstimo. É por isso que checar quem tem autorização pra mexer no seu CPF junto ao INSS é sua defesa número um.
4. O golpe da “prova de vida” por telefone
Ligam avisando que sua prova de vida está pendente e que o benefício vai ser bloqueado se você não “regularizar” na hora, informando dados pessoais.
Prova de vida é a confirmação periódica de que o aposentado ainda está vivo, pra evitar fraude no pagamento do benefício. Hoje isso é feito cruzando bases de dados oficiais — o INSS não faz prova de vida por telefone nem por mensagem de texto.
Se aparecer alguém batendo na porta, sem agendamento, dizendo que veio “regularizar” o benefício, o cuidado é o mesmo: instituição oficial não trabalha assim.
Passo a passo: como saber se você já caiu numa dessas
Não precisa esperar acontecer pra descobrir. Dá pra checar agora, em 5 minutos, direto do celular:
- Baixe o app Meu INSS (ou acesse o site meu.inss.gov.br) e entre com sua conta Gov.br.
- Procure a opção Extrato de Pagamento — ali aparece tudo que foi descontado do seu benefício naquele mês.
- Depois, procure Extrato de Empréstimo Consignado — essa tela lista todos os contratos de empréstimo abertos no seu CPF junto ao INSS.
- Leia contrato por contrato. Tem algum banco ali que você nunca fechou negócio? É sinal de fraude.
- Repare também em mensalidades de associação ou sindicato que você não lembra de ter autorizado — foi justamente esse tipo de desconto que motivou a operação da Polícia Federal.
- Não tem certeza de mexer no celular sozinho? Peça pra um filho, neto ou vizinho de confiança sentar do seu lado e olhar junto.
CPF é o número que identifica você em qualquer serviço financeiro no Brasil — é nele que o golpista precisa “entrar” pra abrir um empréstimo no seu nome. Mais uma dica.
Achou algo estranho? Faça isso agora
Encontrou um desconto ou contrato que você não reconhece? Não adianta só ficar bravo. Existe canal oficial pra resolver, e nenhum deles cobra pra te atender:
- Ligue para a Central 135, do INSS. Atende de segunda a sábado, das 7h às 22h.
- Registre reclamação no Consumidor.gov.br, direcionada ao banco que aparece no contrato — é o canal que o próprio INSS recomenda pra questionar a instituição financeira responsável pelo desconto.
- Contate a Ouvidoria do INSS, pela plataforma Fala BR, se o problema for desconto de associação ou entidade em vez de empréstimo.
Fala BR é o sistema do governo federal pra reclamação e ouvidoria de qualquer órgão público. Não tem nada a ver com banco — é 100% oficial e gratuito.
- Bloqueie o benefício para novas operações dentro do próprio Meu INSS. É uma trava preventiva: enquanto ela estiver ativa, ninguém consegue abrir novo consignado no seu nome — nem golpista, nem você mesmo por engano.
Guarde o número do protocolo de cada reclamação que fizer. Ele é sua prova de que você já denunciou, caso precise brigar pelo dinheiro de volta depois.
Se você tá cuidando de um parente idoso, leia isso
Muita gente que vai ler esse artigo não é o aposentado — é o filho, a filha, o neto que cuida da conta dos pais. Se for o seu caso, aqui vai um roteiro simples:
- Sente do lado, não faça sozinho no celular dele sem ele saber. Confiança é rua de mão dupla.
- Ajude a cadastrar o Gov.br com senha forte, e explique que essa senha nunca deve ser dita em voz alta pra ninguém.
- Combine um código ou palavra-chave em família pra qualquer pedido de dinheiro “urgente” — se a pessoa do telefone não souber o código, é golpe.
- Marque no calendário uma checagem mensal do extrato do INSS, junto com ele. Vira rotina, não vira desconfiança.
5 regras de ouro pra nunca cair nessa
- INSS não empresta dinheiro. Quem empresta é o banco; o INSS só autoriza o desconto.
- Nunca passe sua senha do Gov.br pra ninguém — nem por telefone, nem por link, nem pro “atendente” mais simpático do mundo.
- Banco não liga oferecendo consignado fechado. A contratação de verdade parte de você, dentro do aplicativo do próprio banco — nunca de uma ligação recebida.
- Prova de vida não é feita por telefone. Desconfie de qualquer ligação pedindo isso.
- Desconfie de urgência. “Se não regularizar agora, seu benefício será bloqueado” é a frase clássica de quem quer te apressar pra você não pensar direito.
Perguntas rápidas sobre o golpe do consignado
Preciso pagar alguma coisa pra “liberar” a restituição ou cancelar um desconto indevido? Não. Nenhum canal oficial cobra taxa pra devolver dinheiro ou cancelar cobrança irregular. Se pedirem pagamento, é golpe.
O INSS liga avisando sobre desconto ou empréstimo? O INSS pode enviar comunicados pelos canais oficiais, mas não liga pedindo senha, nem faz prova de vida por telefone, nem oferece empréstimo — quem empresta é sempre o banco.
Já contratei consignado antes. Isso me deixa mais vulnerável? Não necessariamente, mas fique de olho: ter contrato ativo é justamente a porta que o golpista tenta imitar quando liga “confirmando dados” do seu empréstimo já existente.
Vale a pena bloquear o consignado mesmo sem suspeitar de nada? Se você não pretende contratar empréstimo tão cedo, bloquear a possibilidade de novas operações no Meu INSS é uma trava de segurança extra, sem custo nenhum.
Cancelar um consignado fantasma tira meu nome do Serasa se eu tiver atrasado outras contas por causa disso? São processos separados. Cancelar o contrato fraudulento resolve o desconto indevido, mas se esse golpe te empurrou pro vermelho em outras dívidas, vale revisar também sua situação geral — inclusive nos nossos artigos sobre como sair do Serasa mesmo sem grana sobrando.
O que tá em jogo essa semana (e por que ainda não é hora de comemorar)
O teto de juro do consignado do INSS hoje está em 1,85% ao mês, valor em vigor desde março de 2025. O governo estuda cortar esse teto e até criar uma regra automática pra parar de discutir isso toda hora — mas a decisão ainda não saiu, e o próprio ministro da Previdência já admitiu que pode não existir espaço técnico pra baixar mais.
Enquanto isso não fecha, cuidado com quem ligar dizendo “o juro caiu, aproveita agora”. Nenhuma mudança de teto passa pra valer da noite pro dia por telefone — mudança de regra sai em canal oficial, com data certa, não em ligação de “última hora”.
Se você quer entender direito por que o juro que sai no jornal nem sempre chega no seu bolso, esse é o mesmo mecanismo que já mostramos no artigo sobre a Selic caindo e o Monstro do Supermercado que não dá trégua — vale a leitura complementar.
Veja o estrago que um consignado fantasma pode fazer
Números ajudam a entender o tamanho do problema. Imagine um benefício de um salário mínimo. Pela margem consignável, uma boa fatia dele pode ser comprometida com desconto de empréstimo — geralmente até 35%, dependendo da modalidade.
Se um golpista abre um contrato fantasma nesse limite, uma parcela de consignado pode facilmente ultrapassar R$ 400 por mês saindo direto do benefício, sem o aposentado nunca ter visto um centavo do empréstimo entrar na conta. Multiplicando por um contrato de 60 ou 84 parcelas — prazo comum nesse tipo de operação — o prejuízo passa fácil dos R$ 20 mil.
E o pior: enquanto o contrato não é contestado e cancelado, o desconto continua saindo, mês após mês, exatamente como se fosse uma dívida legítima.
Resumo, pra quem só quer o essencial
Golpista adora aproveitar assunto em alta — e juro de consignado tá em alta essa semana, com Copom e governo discutindo o teto ao mesmo tempo.
Confira seu extrato no Meu INSS hoje mesmo. Desconfie de qualquer ligação pedindo senha ou “regularização urgente”. E lembre sempre: o INSS não empresta, não pede senha por telefone e não faz prova de vida por mensagem.
Quem se protege primeiro é quem sabe onde procurar antes do golpista ligar.
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Manda esse artigo pro seu pai, sua mãe, seu avô — qualquer pessoa da família que recebe do INSS. Um golpe desses pode levar meses de aposentadoria embora numa ligação de cinco minutos. Vale o tempo de mandar.
